quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

3 meses aqui

No último dia 27 completei três meses por aqui. Um absurdo como passou rápido! Parece que foi ontem que eu estava no aeroporto vindo pra cá. E com esse clima de fim de ano, essa coisa do que a gente espera que seja o nosso 2011, resolvi fazer um pequeno balanço do que foi esse período já aqui.

Lisboa me recepcionou muito bem. Tive sorte de encontrar um apartamento tão bom e tão rápido; encontrei pessoas do bem por aqui, que estão fazendo de tudo pra que eu me sinta em casa; não tive dificuldades com o SEF (Serviço de estrangeiros e fronteiras) e agora já tenho meu cartão de residente pelo próximo ano aqui.

Mas ainda me sinto num período de adaptação. Não tenho mais o sentimento de turista que tinha no primeiro mês - acho que principalmente por conta de ter vivido em hostel, mas ainda não me sinto "em casa". Não sei se vou realmente me sentir em casa algum dia, mas como em todos dias, acho que as coisas tendem a melhorar! :)

Ainda não consegui me acostumar com o banho sem ducha. Nem com o dia começar a amanhecer lá pelas 7h45. Nem com o pessimismo e mau humor diário de muitos portugueses, muito menos com a porta da minha sala dar direto na rua. Mas com essas coisas eu também não estou fazendo nenhum esforço pra me acostumar, prefiro dar aquela ignorada, como se não fossem dessa maneira!

Já aprendi a valorizar mais meu dinheiro, porque aqui definitivamente o custo de vida é muito mais barato que em São Paulo. Quero ver eu aceitar pagar R$ 3,00 por uma passagem de ônibus quando eu voltar, sendo que aqui pago € 28,00 pra rodar o mês todo, quantas vezes e em quantos tipos de transportes eu quiser.

Ainda estou um pouco assustada com a fama ruim dos brasileiros aqui e também, por já ter conhecido alguns que honram essa fama. E também com o quanto os portugueses são fechados para se fazer amizade. Entrar num grupo de amigos tugas aqui realmente não é fácil!

O mestrado - e o grande propósito desta virada na vida - anda indo bem. Me surpreendi com o volume de trabalhos e leituras, realmente está muito mais pesado do que eu imaginava. Eu pedi pro cara lá de cima que queria estudar, deu nisso, né. Veio com vontade! :)
Mas já to felizona por ter encontrado o caminho da minha tese. E por já também ter encontrado um possível orientador muito bom.

A saudade está sendo o mais difícil. Lembro da minha família quando eu vou dormir, quando eu acordo, quando eu vou almoçar, quando eu estou na rua. E dos meus amigos... ah, esses insubstituíveis que meu deus, que falta fazem! A coisa mais estranha é que faz três meses que eu não ouço mais o toque "I gotta feeling" no meu celular, que tocava quando algum desses queridos me ligavam :(

Ainda não entrei na tal crise dos 3 meses. Mas em alguns momentos já me perguntei, lógico, se fiz a escolha certa. Se quando a gente faz coisas pequenas na vida a gente se pergunta, por que isso não ia acontecer agora, né? Mas por enquanto só veio a dúvida seguida de um "sim". E espero que continue assim pelos próximos 21 meses que tenho pela frente!

Só que com essa mudança tão radical de vida, ainda não consegui decidir quais são os meus verdadeiros desejos pra 2011, nem quais serão minhas promessas. Por enquanto, a única certeza que tenho pra amanhã à noite é de agradecer por tudo isso.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E o mercado de trabalho

A vida ta boa, estudos correndo soltos por aí e junto, aquele siricutico pra trabalhar. E não é só a falta da rotina de trabalho que me fez começar a procurar emprego, mas também obviamente, porque o dinheiro só está saindo e não seria nada mal começar a entrar também.

Então, comecei a procurar por uma vaga no mercado português e já tenho as minhas primeiras impressões. Bom, antes de começar a mandar meu currículo, estava um bocado receosa, porque a situação do país é crítica, a crise está aí pra todo mundo ver e sentir. E por conta disso, muita gente anda falando com bastante ênfase pra mim que vai ser muito difícil encontrar um emprego.

Além disso, nesse primeiro momento estou a procura de uma vaga decente. Nenhum preconceito com as vagas menos qualificadas do mercado, mas se posso unir meus estudos a uma vaga que condiz com a minha experiência, por que não? E é isso que estou fazendo. Preparei meu currículo no formato europeu (chamado europass e que tem um site que monta pra você, superfácil) e chamei o oráculo google pra uma conversa. Ele tem me apresentado muitas opções de vagas e mesmo com o mercado bastante desaquecido (não vamos esquecer que além da crise é dezembro!), não saio da frente do computador se não tiver mandado meu currículo pelo menos 10 vezes no dia.

E com isso, as primeiras entrevistas já começaram a sugir. Já fui em duas. As entrevistas aqui por enquanto foram muito parecidas com as do Brasil. As mesmas perguntas, com uma única diferença: a expectativa salarial. Aqui as referências são completamente outras e não dá pra converter, por exemplo, o salário que eu tinha no Brasil pra querer a mesma coisa aqui. Num comparativo simples, sem olhar toda a conjuntura, até daria pra pensar que ganhamos (os qualificados) no Brasil um salário maior do que aqui. A diferença está no custo de vida, que aqui é bem menor. Então, as empresas não pagam tanto, mas se vive superbem.

Ah, tem outra diferença sim. Estão me achando muito nova pra experiência que tenho. Como alguns me informaram, a diferença para os jovens europeus/portugueses é que eles não costumam começar a trabalhar na área logo que entram na faculdade, tanto que aqui há estágio em níveis. Por exemplo, há estágio nível 5 que é um que posso fazer, que é pro povo mestrando. E aqui há estágio profissional e curricular. A diferença está em salário. No curricular, não se recebe nada pra trabalhar e o profissional, geralmente, optam por pegar gente que já saiu da faculdade. Então, o pessoal prefere ir fazer bicos nas férias e ter grana a se matar numa empresa e não ganhar nada por isso. Então, lógico, com a carreira começando mais tarde, dificilmente aos 26 anos aqui um jovem vai ter passado por um monte de funções.

E como a última recrutadora me disse, aqui também tem uma questão de cultura ainda, que por conta do histórico de crise e desemprego do país, as pessoas valorizam muito as vagas e quando entram numa vaga dificilmente saem, então vão se tornando muito especialistas. Mesmo porque 80% do mercado português é formado por empresas com menos de 100 pessoas. E empresas geralmente pequenas não oferecem projetos megalomaníacos. Perfil bem diferente do povo geração Y como eu, que quer mais é experimentar e não tem medo de trocar de emprego. Interessante isso.

Ah, e aqui também é premissa, pra qualquer cargo, falar inglês. E o mais legal é que por enquanto, nas duas entrevistas, as três pessoas com quem conversei conheciam (e bem) as empresas que trabalhei no Brasil! Nice. :)

Mas diante dos percalços e entranhas, a coisa está me parecendo muito mais amigável do que as histórias ouvidas e não se mostra nem um pouco ruim, já que em duas semanas de procura, duas entrevistas. Então, a conclusão que reforço (porque sempre pensei desse jeito) é que nada vai cair no colo e por mais difícil que seja, se não procurar, aí é que não vai aparecer mesmo. E eu to confiante que o Pai Natal (papai noel aqui) vai deixar na bota de que eu pendurei aqui em casa alguma boa proposta para 2011! :)

Agora, to indo ali mandar mais uns cvs! ;)