Então, comecei a procurar por uma vaga no mercado português e já tenho as minhas primeiras impressões. Bom, antes de começar a mandar meu currículo, estava um bocado receosa, porque a situação do país é crítica, a crise está aí pra todo mundo ver e sentir. E por conta disso, muita gente anda falando com bastante ênfase pra mim que vai ser muito difícil encontrar um emprego.
Além disso, nesse primeiro momento estou a procura de uma vaga decente. Nenhum preconceito com as vagas menos qualificadas do mercado, mas se posso unir meus estudos a uma vaga que condiz com a minha experiência, por que não? E é isso que estou fazendo. Preparei meu currículo no formato europeu (chamado europass e que tem um site que monta pra você, superfácil) e chamei o oráculo google pra uma conversa. Ele tem me apresentado muitas opções de vagas e mesmo com o mercado bastante desaquecido (não vamos esquecer que além da crise é dezembro!), não saio da frente do computador se não tiver mandado meu currículo pelo menos 10 vezes no dia.
E com isso, as primeiras entrevistas já começaram a sugir. Já fui em duas. As entrevistas aqui por enquanto foram muito parecidas com as do Brasil. As mesmas perguntas, com uma única diferença: a expectativa salarial. Aqui as referências são completamente outras e não dá pra converter, por exemplo, o salário que eu tinha no Brasil pra querer a mesma coisa aqui. Num comparativo simples, sem olhar toda a conjuntura, até daria pra pensar que ganhamos (os qualificados) no Brasil um salário maior do que aqui. A diferença está no custo de vida, que aqui é bem menor. Então, as empresas não pagam tanto, mas se vive superbem.
Ah, tem outra diferença sim. Estão me achando muito nova pra experiência que tenho. Como alguns me informaram, a diferença para os jovens europeus/portugueses é que eles não costumam começar a trabalhar na área logo que entram na faculdade, tanto que aqui há estágio em níveis. Por exemplo, há estágio nível 5 que é um que posso fazer, que é pro povo mestrando. E aqui há estágio profissional e curricular. A diferença está em salário. No curricular, não se recebe nada pra trabalhar e o profissional, geralmente, optam por pegar gente que já saiu da faculdade. Então, o pessoal prefere ir fazer bicos nas férias e ter grana a se matar numa empresa e não ganhar nada por isso. Então, lógico, com a carreira começando mais tarde, dificilmente aos 26 anos aqui um jovem vai ter passado por um monte de funções.
E como a última recrutadora me disse, aqui também tem uma questão de cultura ainda, que por conta do histórico de crise e desemprego do país, as pessoas valorizam muito as vagas e quando entram numa vaga dificilmente saem, então vão se tornando muito especialistas. Mesmo porque 80% do mercado português é formado por empresas com menos de 100 pessoas. E empresas geralmente pequenas não oferecem projetos megalomaníacos. Perfil bem diferente do povo geração Y como eu, que quer mais é experimentar e não tem medo de trocar de emprego. Interessante isso.
Ah, e aqui também é premissa, pra qualquer cargo, falar inglês. E o mais legal é que por enquanto, nas duas entrevistas, as três pessoas com quem conversei conheciam (e bem) as empresas que trabalhei no Brasil! Nice. :)
Mas diante dos percalços e entranhas, a coisa está me parecendo muito mais amigável do que as histórias ouvidas e não se mostra nem um pouco ruim, já que em duas semanas de procura, duas entrevistas. Então, a conclusão que reforço (porque sempre pensei desse jeito) é que nada vai cair no colo e por mais difícil que seja, se não procurar, aí é que não vai aparecer mesmo. E eu to confiante que o Pai Natal (papai noel aqui) vai deixar na bota de que eu pendurei aqui em casa alguma boa proposta para 2011! :)
Agora, to indo ali mandar mais uns cvs! ;)
Boa Sorte didowssss!!!
ResponderExcluirbjos.
Jean