terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pedra na sopa, pá!

Eu ouvi várias vezes meu pai contar a história da sopa da Pedra. E sempre achei graça da malandragem já dos tempos medievais. Mas nunca tinha comido a tal sopinha, até este domingo!

Com um dia que começou bem ensolarado, apesar do frio, fui pela primeira vez fazer turismo tuga com tugas de verdade (porque até agora só tinha sido com as visitas zucas)! A primeira parada da viagem foi em Almeirim e olha só: a terra da sopa da Pedra! Almeirim é um cidade pititica, fica na região do Ribatejo (parte de cima de Lisboa, tendeu?), no concelho de Santarém.

A chegada na cidade já foi para o almoço, então fomos atrás da famosa sopa. E não só a comemos, como também foi num restaurante chamado "Sopa da Pedra", ou seja, não tinha como errar! E daí, escrevo abaixo para vocês essa lenda, que a mim foi contada pelo meu pai e por outros tantos portugueses. Então se me permitem, aqui vai a minha leitura, pois já que é uma lenda, a gente tem liberdade poética para contá-la.

"Há muitos e muitos anos, um viajante que passava pelas terras portuguesas, cheio de fome e sem mantimentos, resolveu parar em uma vilazinha para um descanso e ver se arranjava alguma comida. Mas, por seu aspecto malandro e maltrapilho, na vila, acabou não sendo tão bem recebido quanto imaginava. Ninguém lhe ofereceu abrigo, muito menos comida de graça.
Tentando se virar como podia, resolveu fazer a sua famosa receita de sopa da pedra. Bateu na primeira casa da vila e ao atender um senhor, lhe disse que tinha uma receita incrível de sopa, que bastava colocar a pedra e o sabor ficaria como nada que ele havia provado na vida. A pedra era especial, só o viajante tinha, por isso toda a exclusividade. Convidou o senhor para comer. O senhor aceitou. Mas o viajante disse que só lhe faltava um ingrediente, o feijão. E o convidado então se dispôs a dar o feijão.

O viajante malandrinho fez isso com mais todas as casas da vila, mas a cada convidado novo, pedia um novo ingrediente: batata, cebola, alho, chouriço, toucinho, coentro e tantos outros. No fim, teve todos os ingredientes para sua sopa e mais a famosa pedra.
Fez a tal sopa inacreditável! Todos os convidados comeram e adoraram. E no fim perguntaram: 'Mas e a pedra, o que fazes com ela?'. E o viajante respondeu: 'guardo para a próxima parada, pois precisarei dela para conseguir mais uma sopa'. Safadinho, encheu o bucho e saiu contente! :)"

E não é que a sopa é boa mesmo? Ok, fechei os olhos pra comer algumas partes do porco que eu não sou muito chegada, mas está mais que aprovada! Além de tudo ela sozinha enche que só! Ainda mais no inverno, vale super a pena! E sim, enquanto você come, pode ser premiado com uma pedra no prato. No meu não veio e será que isso é sorte ou azar? :)



E além da sopa ser o prato principal para quem quer conhecer Almeirim, ela é tão famosa que tem até um festival só pra ela! Este ano vai ter até o primeiro festival gastronômico pra sopa! Um luxo! Quem estiver aqui por esses lados, vale a pena ir jantar por lá! ;) E pra quem não está, aí vai o link com as receitas oficiais!

Ah, e a cidade ainda não tem só isso pra oferecer gastronomicamente. Não se esqueça que depois da sopa ainda tem a sobremesa!
E essa, tem que ser feita na Casa das Queijadas! Mais de 20 sabores de queijadas,
esse docinho diliça tuga.
Vale mais do que pena (tanto que eu trouxe 6 pra casa!).

Depois do mergulho gastronômico em Almeirim, ainda fomos conhecer o Castelo de Almourol. Um castelinho bem lindo, que fica no meio do Tejo, mas quase
encontra com o rio Zezêre, como se fosse uma ilhota. Esse castelinho é de 1171, e é uma fortificação militar da época, é como se fosse um primórdio da Ordem
dos Templários aqui. Bem bacana! Agora, o próximo passeio tuga ao lado de
tugas é lá pro norte, na região mais fria de Portugal! Vamo que vamo! :D






quarta-feira, 29 de junho de 2011

e no trabalho...

A gente descobre algumas coisas importantes como, por exemplo:

- a gente não acessa e-mail, a gente acede ao e-mail.
- a gente não clica com o mouse em nada. A gente descarrega com o rato.
- a gente não tem tela de computador, a gente tem ecrã.
- a gente não monta um guia dentro do planejamento. A gente monta um guião dentro do planeamento.
- a gente não tem notebook. A gente tem portátil.
- a gente termina e-mail com "meus cumprimentos". E não assina, rubrica.
- a gente não trabalha em equipe. A gente trabalha em equipa. E veste a camisola da empresa.

E a gente ainda é muito feliz, porque vai e volta do trabalho olhando pra lindeza Tejo! :)


domingo, 26 de junho de 2011

As sardinhas e os santos!

Precisei passar por um mês de junho aqui pra realmente sentir o que era ser Lisboeta! Não tem nada mais tuga, mais allfacinha do que ir às festas dos Santos populares!

Pra explicar do começo o que rola por aqui, tudo acontece por conta do Santo António (aqui António mesmo, não Antônio). Todo mundo sabe que dia 13 de junho é dia de Santo António. O que eu não fazia ideia era que ele nasceu em Lisboa, em 1195 e é, além de santo casamenteiro, padroeiro de Pádua, dos pobres, das mulheres grávidas, das pessoas que desejam encontrar objectos perdidos e dos oprimidos. Ou seja, dá pra imaginar o tamanho da festa que acontece pra ele, num país que ainda tem o catolicismo bem forte, né?

E ainda pra ajudar, na semana do dia 13 tem outro feriado, no dia 10: é Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Ou seja, dá-lhe um belíssimo feriado prolongado!

E então, pra comemorar tudo isso, acontecem as festas dos santos populares, que começam no dia 10 e só terminam dia 13. Barraquinhas como as das nossas quermeces são montadas nas ruas da Alfama, o bairro mais lisboeta que existe. São ruazinhas minúsculas, que não passa carro, com aqueles prédios de mais de duzentos anos bem baixinhos, com as portas da casa já na rua. E lógico, um montão de igrejinhas pelo Bairro. Pra completar o cenário, se penduram bandeirinhas e balões pelas ruas e a cada esquina tem uma churrasqueira assando... Sardinhas! Sim, nada de bacalhau nessa festa, o lance são as sardinhas assadinhas e servidas no pão, inteiras, pra você lambuzar todos os dedos pra conseguir comer com gosto. E que gosto, porque são deliciosas!!

A tentativa de fotografar as sardinhas! :P

Vem gente de todo lado, então é o antro da diversidade. Num lado você vê um pessoal alternativo tocando guitarra espanhola, do outro famílias com criancinhas, do outro uns meninos (como diria o Phill) meio Cristiano-ronaldo-wannabe. E no meio disso tudo, umas bandas bem tradicionais, tocando o Pimba! Bom, o pimba é uma coisa meio sertaneja, meio brega, meio música cancioneira. Mas, eu admito, na quermece lisboeta, bem combina! E aí vai uma das músicas que tocou lá e que grudou na minha cabeça "Cheira bem, cheira a Lisboa": http://www.youtube.com/watch?v=alu9Y5-nZO8!

Além disso, ainda tem nesse meio tempo o desfile das marchas populares, que são as fanfarras com um grupo coreografado super tradicional, transmitido ao vivo pela tv nos moldes do nosso carnaval, com uma duplinha fazendo a apresentação da marcha, contando antes a história da música e que nas proporções devidas, com uma boa centena de pessoas assistindo. Um luxo!

De tudo tão bom, a única coisa que faltou mesmo foi ter uma barraquinha cheia de quitutes de milho. Porque sabe como é né, tem uma coisa chamada saudade de gruda na gente e não sai mais. :)

E ah, nesse feriado aí eu também descobri que Lisboa, às 5h, tem o céu mais azul royal de todos os tempos! Coisa mais linda, linda!
Agora, se deu vontade de ter uma experiência lisboeta de verdade, se programa e vem me visitar em junho de 2012! :P

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os doces, ops..a Kel, chegou na minha vida lusa!

Depois de seis meses aqui ganhei o presente de daqui pra frente ter a companhia de uma das amigas mais lindas que tenho, a Kelly, que pros chegados é a kel, a pequena, a japa, a pucca.

Kelzitcha fez cásper comigo e trabalhávamos juntas no Pão de Açúcar. Ela, publicitária, resolveu mudar de vida e veio pra cá fazer um curso de Gestão e Produção de Cozinha. E eu tenho certeza que vai se tornar uma grande Chef de Cozinha. Bom, guardem esse nome: Kelly Kanegae, vão ouvir daqui um tempinho ela brilhar pelo Brasil com suas delícias.

Com ela aqui, minha vida definitivamente mudou. A começar pela rotina, já que ela acorda cedão pra ir pra escola, passei a ir dormir mais cedo e acordar mais cedo tbm. Diminuiu muito as conversas com o Brasil, mas em contrapartida, o dia está rendendo mais.

Mas o melhor de tudo mesmo é que a vida aqui ficou mais doce (Kel quer se especiliar em pastelaria, pâtisserie, confeitaria). A gente ainda não tem forno pra ela começar a produzir as delícias de bolinhos que fazia no Brasil e que eu to morrendo de saudade, mas isso não nos impediu de já começar nossa sensacional aventura pelo mundo do açúcar (ou não, porque ela é danada e cria coisas deliciosas sem açúcar nem adoçante).

Nossa primeira aventura foi ir pra uma cidade chamada Óbidos, a 1h de ônibus de Lisboa. Estava tendo por lá o IX Festival Internacional do Chocolate!! \o/
A cidade já é linda por si só. É rodeada por muralhas medievais e as ruelinhas são todas super antigas, com lojas de artesanato regional e muitas, muitas lojas de chocolate. E a coisa por lá é gourmet, a produção chocolateira é fina, então vale a visita em qualquer época do ano.


O dia não estava lá essas coisas, chovia bastante, mas até aí... quem disse que duas doidas por chocolate não iam conseguir aproveitar? Pois é, rodamos aquilo de tudo quanto foi jeito, provamos muitas delícias e ainda vimos uma exposição fantástica de monumentos da cidade feitos de chocolate, além de uma exposição de cake design.

Olha a igreja feita toda de chocolate!
E os detalhes de lustres e anjos nas portas
era de deixar a gente boquiaberta. =O

Pra matar a vontade de chocolate provamos petit gateau, pão de rala de chocolate, bombokas (sensacionais), pastel de nata de chocolate (sensacional²), suspiro de chocolate, bolachinhas e pedaços de chocolate belga. Ah, ainda teve também chocolate quente. Ainda bem que o estômago pra onde vão os doces não é o mesmo que vão os salgados, senão a gente não comia mais nada durante uma semana inteira! :P

Pastéis de Nata de Chocolate :P


A visita acabou durando só 4h (o que talvez tenha sido até bom..rsrs), mas deu pra aproveitar bastante. E o bom é que ano que vem tem de novo! \o/

Assim que tivermos o forno lá em casa, conto mais novidades açucaradas. ;)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um típico dia luso

*Este texto usa palavras em Português. Caso você não entenda, é porque você fala Brasileiro! :)

Acordo por volta das 9h. Abro a janela e o sol está começando a dar as caras. Vou preparar o pequeno almoço, que inclui café colombiano, iogurte de aloe vera com banana e crusli e pão de mafra com rapsódia de cerejas pretas.

Vou olhar os e-mails, ler notícias - primeiro as de Portugal, depois as do Brasil. Dou um jeito na casa, abro as janelas pro ar circular, mas fecho as cortinas - viver no rés de chão atrai muitos curiosos. Volto para o portátil e dou bom-dia pra kel e pra robs, as companheiras de todos os dias.

Esquento o almoço, que é o que sobrou de ontem (a vontade de cozinhar só vem de noite). Computador de novo, mas agora é pra estudar. Entre a pesquisa, a leitura, o facebook, algumas risadas com robs e a conversa em doses homeopáticas com a kel. Um oi pelo skype pra tati. Hora de se arrumar pra faculdade.

No banho, sempre penso na saudade do banheiro grande com chuveiro de água forte e no alto. Liga e desliga da água e o desafio de enxaguar bem o cabelo com uma mão só, já que a outra segura o chuveirinho.

Vesti os fatos do dia e a vontade é de pôr um salto alto, mas nunca dá, as calçadas de Lisboa não deixam.

Paragem de autocarro pra ir para a faculdade. No caminho, 3 pastelarias. E, ao mesmo tempo em que vem a vontade de cada doce lindo, vem a lembrança de quantas gemas e quanto açúcar vai em cada um. Ufa, desisto!

No caminho, dou boa-tarde pro Tejo e vejo o começo do pôr-do-sol – que são as únicas coisas que não me fazem ter sono durante os 55 minutos no balanço do autocarro. Dou uma passagem d’olhos no telemóvel, um quarto pras 18h, cheguei pra aula.

4 horas seguidas de muitas teorias, discussões, tese, tese, tese e viagens na minha cabeça. Pausa só pra uma meia de leite ou uma sopa. Volto pra casa de elétrico e é difícil não pensar todas as vezes que eu estou dentro de um veículo de madeira, do começo do século passado. E nessas voltas, sempre vem na cabeça também a vida dos imigrantes por aqui. Sempre tem muitos deles nos bancos ao lado.

Chego em casa por volta das 23h, e o dia ainda nem pensou em terminar. Ainda tenho que matar um pouco da saudade com meio Brasil pelo skype. E cozinhar um pouco, se der vontade. Também conferir a lista do que tenho que fazer amanhã pra faculdade.

2h. Parte da saudade consumida pelas conversas gostosas. Sono. Boa-noite a mais um dia, dos 175 dias que eu estou aqui.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

3 meses aqui

No último dia 27 completei três meses por aqui. Um absurdo como passou rápido! Parece que foi ontem que eu estava no aeroporto vindo pra cá. E com esse clima de fim de ano, essa coisa do que a gente espera que seja o nosso 2011, resolvi fazer um pequeno balanço do que foi esse período já aqui.

Lisboa me recepcionou muito bem. Tive sorte de encontrar um apartamento tão bom e tão rápido; encontrei pessoas do bem por aqui, que estão fazendo de tudo pra que eu me sinta em casa; não tive dificuldades com o SEF (Serviço de estrangeiros e fronteiras) e agora já tenho meu cartão de residente pelo próximo ano aqui.

Mas ainda me sinto num período de adaptação. Não tenho mais o sentimento de turista que tinha no primeiro mês - acho que principalmente por conta de ter vivido em hostel, mas ainda não me sinto "em casa". Não sei se vou realmente me sentir em casa algum dia, mas como em todos dias, acho que as coisas tendem a melhorar! :)

Ainda não consegui me acostumar com o banho sem ducha. Nem com o dia começar a amanhecer lá pelas 7h45. Nem com o pessimismo e mau humor diário de muitos portugueses, muito menos com a porta da minha sala dar direto na rua. Mas com essas coisas eu também não estou fazendo nenhum esforço pra me acostumar, prefiro dar aquela ignorada, como se não fossem dessa maneira!

Já aprendi a valorizar mais meu dinheiro, porque aqui definitivamente o custo de vida é muito mais barato que em São Paulo. Quero ver eu aceitar pagar R$ 3,00 por uma passagem de ônibus quando eu voltar, sendo que aqui pago € 28,00 pra rodar o mês todo, quantas vezes e em quantos tipos de transportes eu quiser.

Ainda estou um pouco assustada com a fama ruim dos brasileiros aqui e também, por já ter conhecido alguns que honram essa fama. E também com o quanto os portugueses são fechados para se fazer amizade. Entrar num grupo de amigos tugas aqui realmente não é fácil!

O mestrado - e o grande propósito desta virada na vida - anda indo bem. Me surpreendi com o volume de trabalhos e leituras, realmente está muito mais pesado do que eu imaginava. Eu pedi pro cara lá de cima que queria estudar, deu nisso, né. Veio com vontade! :)
Mas já to felizona por ter encontrado o caminho da minha tese. E por já também ter encontrado um possível orientador muito bom.

A saudade está sendo o mais difícil. Lembro da minha família quando eu vou dormir, quando eu acordo, quando eu vou almoçar, quando eu estou na rua. E dos meus amigos... ah, esses insubstituíveis que meu deus, que falta fazem! A coisa mais estranha é que faz três meses que eu não ouço mais o toque "I gotta feeling" no meu celular, que tocava quando algum desses queridos me ligavam :(

Ainda não entrei na tal crise dos 3 meses. Mas em alguns momentos já me perguntei, lógico, se fiz a escolha certa. Se quando a gente faz coisas pequenas na vida a gente se pergunta, por que isso não ia acontecer agora, né? Mas por enquanto só veio a dúvida seguida de um "sim". E espero que continue assim pelos próximos 21 meses que tenho pela frente!

Só que com essa mudança tão radical de vida, ainda não consegui decidir quais são os meus verdadeiros desejos pra 2011, nem quais serão minhas promessas. Por enquanto, a única certeza que tenho pra amanhã à noite é de agradecer por tudo isso.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E o mercado de trabalho

A vida ta boa, estudos correndo soltos por aí e junto, aquele siricutico pra trabalhar. E não é só a falta da rotina de trabalho que me fez começar a procurar emprego, mas também obviamente, porque o dinheiro só está saindo e não seria nada mal começar a entrar também.

Então, comecei a procurar por uma vaga no mercado português e já tenho as minhas primeiras impressões. Bom, antes de começar a mandar meu currículo, estava um bocado receosa, porque a situação do país é crítica, a crise está aí pra todo mundo ver e sentir. E por conta disso, muita gente anda falando com bastante ênfase pra mim que vai ser muito difícil encontrar um emprego.

Além disso, nesse primeiro momento estou a procura de uma vaga decente. Nenhum preconceito com as vagas menos qualificadas do mercado, mas se posso unir meus estudos a uma vaga que condiz com a minha experiência, por que não? E é isso que estou fazendo. Preparei meu currículo no formato europeu (chamado europass e que tem um site que monta pra você, superfácil) e chamei o oráculo google pra uma conversa. Ele tem me apresentado muitas opções de vagas e mesmo com o mercado bastante desaquecido (não vamos esquecer que além da crise é dezembro!), não saio da frente do computador se não tiver mandado meu currículo pelo menos 10 vezes no dia.

E com isso, as primeiras entrevistas já começaram a sugir. Já fui em duas. As entrevistas aqui por enquanto foram muito parecidas com as do Brasil. As mesmas perguntas, com uma única diferença: a expectativa salarial. Aqui as referências são completamente outras e não dá pra converter, por exemplo, o salário que eu tinha no Brasil pra querer a mesma coisa aqui. Num comparativo simples, sem olhar toda a conjuntura, até daria pra pensar que ganhamos (os qualificados) no Brasil um salário maior do que aqui. A diferença está no custo de vida, que aqui é bem menor. Então, as empresas não pagam tanto, mas se vive superbem.

Ah, tem outra diferença sim. Estão me achando muito nova pra experiência que tenho. Como alguns me informaram, a diferença para os jovens europeus/portugueses é que eles não costumam começar a trabalhar na área logo que entram na faculdade, tanto que aqui há estágio em níveis. Por exemplo, há estágio nível 5 que é um que posso fazer, que é pro povo mestrando. E aqui há estágio profissional e curricular. A diferença está em salário. No curricular, não se recebe nada pra trabalhar e o profissional, geralmente, optam por pegar gente que já saiu da faculdade. Então, o pessoal prefere ir fazer bicos nas férias e ter grana a se matar numa empresa e não ganhar nada por isso. Então, lógico, com a carreira começando mais tarde, dificilmente aos 26 anos aqui um jovem vai ter passado por um monte de funções.

E como a última recrutadora me disse, aqui também tem uma questão de cultura ainda, que por conta do histórico de crise e desemprego do país, as pessoas valorizam muito as vagas e quando entram numa vaga dificilmente saem, então vão se tornando muito especialistas. Mesmo porque 80% do mercado português é formado por empresas com menos de 100 pessoas. E empresas geralmente pequenas não oferecem projetos megalomaníacos. Perfil bem diferente do povo geração Y como eu, que quer mais é experimentar e não tem medo de trocar de emprego. Interessante isso.

Ah, e aqui também é premissa, pra qualquer cargo, falar inglês. E o mais legal é que por enquanto, nas duas entrevistas, as três pessoas com quem conversei conheciam (e bem) as empresas que trabalhei no Brasil! Nice. :)

Mas diante dos percalços e entranhas, a coisa está me parecendo muito mais amigável do que as histórias ouvidas e não se mostra nem um pouco ruim, já que em duas semanas de procura, duas entrevistas. Então, a conclusão que reforço (porque sempre pensei desse jeito) é que nada vai cair no colo e por mais difícil que seja, se não procurar, aí é que não vai aparecer mesmo. E eu to confiante que o Pai Natal (papai noel aqui) vai deixar na bota de que eu pendurei aqui em casa alguma boa proposta para 2011! :)

Agora, to indo ali mandar mais uns cvs! ;)